Socio-linguistica, hmmm...
Ando escrevendo um paper sobrre linguística e topei com esta publicação acadêmica que, além de ser excelente, é grátis e está todinha on line! Recomendo: Journal of Sociolinguistics.
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Correndo, atrasada, para um almoço em Palo Alto, paro num farol pra entrar à esquerda na University Avenue. Paro praticamente de cara para um homem negro, de uns 60 anos, cara bonachona, boa, com um arremedo de barba grisalha, um sorriso bom. De cara com ele. Ele sentado numa cadeirinha dobrável que descolou. Nos ouvidos, fones de ouvido pequeninos, prateados, brilhando na sua pele preta. No colo, um fundo de caixa de papelão, mal recortado, funcionava como cartaz - não lembro os dizeres, mas era na linha do "sem-teto, sem emprego, com fome" ou coisa que o valha. E eu não tinha um tostão na carteira. E parei cara a cara com ele. Olho no olho. Sorri e fiz uma cara de sinto muito. Minha mão automaticamente desligou o rádio, que berrava as infâmias do Iraque, de Israel, da Ucrânia, daqui mesmo. Ele sorriu pra mim e disse: "Another time". E o farol não abria nunca e eu ali olhando pra ele. Foi, afinal, um prazer, porque ele estava ouvindo algum blues e cantarolava baixinho, com aquele voz roufenha e agradável. Cantarolou a letra inteira. Foi supergostoso ouvir. E o tempo todo ele percebia que eu estava olhando. Finalmente, tirou um fone de ouvido, olhou bem pra mim, sempre com aquele sorriso gostoso planando na cara, e disse: "You know. We're keepers! Because we are above the ground. Every day we are above the ground we are winners." E colocou o fone de ouvido de volta. E sorriu de novo. O farol abriu, eu sorri de volta, disse tchau e segui curtindo a minha vitória pessoal sobre o imponderável. We are keepers. Indeed.
Em Liberal Christians Challenge 'Values Vote', esta matéria do Washington Post traz uma informação interessante: em termos de "valores morais", só 16% dos americanos estão preocupados com o aborto e só 12% acham que o casamento gay é a questão moral mais importante do momento. Mais de 60% dos americanos indicaram outros "valores morais", muito diferentes desses, que supostamente decidiram a eleição: "ambição e materialismo" (33%) e "pobreza e justiça econômica" (31%).
Os americanos estão fugindo para o Canadá por causa da vitória do Bush. A matéria Americans Flock to Canada's Immigration Web Site diz que o número de gringos acessando o site de imigração para o Canadá sextuplicou desde terça-feira. São os habitantes da Coastopia, o utópico EUA que tem as duas costas, o Michigan e Nova Orleans...
Aos que preferem futebol em vez de flatulências, aqui vai outra conquista tecnológica de relevo: Scientists learn to bend it like Beckham. Na verdade, eles descobriram foi um jeito de medir a velocidade e a direção de uma bola de futebol - o que parece que ninguém tinha feito antes. Ora veja.
Acaba de sair o primeiro robô capaz de peidar e arrotar. Ah, as maravilhas da tecnologia... Leiam mais em Farting robot wins toy of the year | The Register .
E esta matéria - Welcome to the Green Zone, publicada na revista Atlantic Monthly, foi uma verdadeira profecia dos atentados que ocorreram esta semana na Zona Verde de Bagdá (ou seja, no micro-EUA dentro do Iraque, a bolha de segurança e bem-estar). O autor, que descreve essa Disneylândia médio-oriental num texto impecável, bateu a bola antes do fato: a bolha vai explodir dia desses...
Boa matéria do Washington Post sobre as eleições vindouras aqui neste paisão (em 2 de novembro): Voting Rights Machinery Doubted (washingtonpost.com). Em outras palavras, parece que vai ser aquela roubalheira de 2000 tudo outra vez, só que agora com mil olhos em cima (hopefully).
Contribuição da Pablita: é o Bush falando, numa das tais coletivas em que só ele fala e não responde perguntas. Vejam que belíssima gafe: Neither do we.